sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Elements. Cap. 1


    Elements


Uma sirene. Era o som que percorria meu quarto . Ah, é claro, meu despertador. Pontualmente as seis da manhã, de segunda á sexta. Cocei os olhos e sentei na cama, "que dia é hoje mesmo?" pensei.
     Depois te tomar banho fui tomar café, café no sentido figurado mesmo até porque eu só tomo leite com achocolatado, volto ao banheiro, escovo os dentes, passo maquiagem, a mesma de sempre : delineador, batom, rímel e lápis e depois passei creme no cabelo,  não é fácil domar um cabelo cacheado ao extremo bem de manhã. Procurei as chaves do meu carro, que, por acaso, estavam na minha frente , sabe, mesmo levantando de manhã desde menina ainda tenho a capacidade de ficar meio lesa . Iria dar um tchau para a minha amiga, já que eu dividia o apartamento com ela, mas ela é como uma rocha dormindo, só acorda com o despertador e olhe lá. E eu não tenho cara de despertador. Não que eu saiba.
                     O transito estava normal para um dia de semana, ou ele não estava normal, só eu que tinha me adaptado aquela rotina de transito paulistana. Cheguei. Estacionei meu carro no estacionamento da empresa, trabalhava na parte da administração, sabe, nem odeio, nem amo meu  trabalho, mas só de conviver com as pessoas que eu convivo, e trabalhar no lugar que eu trabalho, já vale apena todo o esforço.  Olhei pela janela do meu escritório e a vista era simplesmente incrível, sabe eu amo campo, mas não aguentaria ficar mais de um mês lá porque sou totalmente urbana, eu preciso ouvir o barulho da cidade, ver os grafites das paredes e as luzes nas ruas, sempre.
                         O Luccas me chamou e só ai eu percebi que já era meio dia, e que estava na hora do almoço. Luccas sempre foi meu melhor amigo, desde a época de escola, ele sempre foi aquele tipo de amigo que sempre ta por perto e que não importa o tanto de meninas que ele ficava, ele nunca se esquecia de mim, e isso foi um ponto super importante na nossa amizade. Eu e o Luccas sempre tivemos uma ligação forte, sabe, tipo de irmãos,  eu nunca iria conseguir me separar dele, por isso juntamos o útil ao agradável, nós dois queríamos fazer o mesmo curso, e então fizemos a prova, passamos, estudamos na mesma escola técnica e depois viemos trabalhar no mesmo lugar, mas isso foi obra do destino.
                         Eu e Luccas estávamos acabando a escola técnica e eu já estava a procura de um emprego, não gostava de ficar dependendo do dinheiro da minha mãe pra tudo, e então eu achei uma vaga de aprendiz em um banco e então quando já estava tudo acertado para eu começar a trabalhar deu um problema nos dados e eu não consegui, então fui procurar de novo e achei um estagio em uma empresa e logo já estava empregada. No dia seguinte a minha contratação o Luccas me ligou e disse que tinha arrumado emprego eu achei a noticia ótima e disse a ele que eu também tinha conseguido, no dia seguinte quando fui levar os últimos documentos encontrei ele lá, e então nós dois soubemos que iriamos trabalhar juntos.
" Então vamos?"
" Claro, e a Lola, não vem?"
Lola, era uma amiga nossa, que tínhamos conhecido lá mesmo no escritório. Ela era meio doidinha, mas era uma pessoa legal.
" Não, ela falou que iria ter que terminar uns relatórios"
"okay então"
Nós descemos e fomos a uma lanchonete e pedimos um lanche, ( que por acaso era enorme, do tipo gigante ) quase nunca comemos comida. Depois passamos no Starbucks. Onde eu trabalho tem bastante, não te contei aonde eu trabalho? Ah, perdão, trabalho no coração de São Paulo, na Avenida Paulista.    
  Sentamos na mesa  já com nossos pedidos em mãos, frappuccino de caramelo para mim, e de morango para o Luccas, sentamos um em frente ao outro, mesmo sendo um mini sofá. Entrou um casal, um menino meio forte com boné, mas dava para perceber seu cabelo loiro saindo do mesmo, tinha jeito de quem fazia esporte, skate. Uma menina, com um short de cintura alta e uma regata longa que vinha até o meio da cocha do Chicago bulls com o numero do Jordan. 23 (nota mental: eu preciso urgentemente dessa regata). Ela também usava um all star branco, cano baixo, tenho um igualzinho a esse, também tinha jeito de quem praticasse esporte, corrida. Eles faziam um casal lindo, ela um pouco mais baixa que ele, pouca coisa. E então ele falou alguma coisa que fez ela dar uma risadinha, se fosse eu e ele eu estaria gargalhando, ele era muito engraçado, sempre dava um jeito de me fazer sorrir, mesmo quando parecia ser impossível realizar essa tarefa. Que saudade. Eu os olhava com saudade e alegria, sabe, se fosse nós ali, talves eu estaria com a mesma roupa, e ele também, sempre fez a linha esportivo ( jogava no time de basquete do colégio). Eu os olhava com saudade e alegria. E Luccas reparou nisso.


" Cinco anos e você ainda não superou, ainda sente saudades dele" E fez um gesto com a mão, pedindo para que fosse até ele. E eu fui. Como uma garotinha de 10 anos me coloquei de baixo de seus braços , me sentia protegia ali, como se nenhuma memoria pudesse mais me machucar. Eu estava errada.
               
    Quarta feira. Dia dezessete de agosto de dois mil e nove. Já estava na escola. Antes do sinal tocar recebi um telefonema dele. Eu o atendi. Com certeza não era a voz dele, era a voz de outro homem falando que o dono do celular em que ele falava tinha se acidentado em um acidente de carro, em que ele teria sido a vitima quando foi atropelado, e que estava indo para a emergência de um hospital.     
Corri. Corri o mais rápido que pude. Corri como nunca na minha vida. Corri como se não existisse amanhã. Corri como se minha vida dependesse desse único feito. E, de certo modo, ela dependia.
               E, de repente,foi como se meu mundo inteiro desabasse. Foi como se todo o  peso do mundo inteiro caísse em cima dos meus ombros. Foi como se eu tivesse falhado. Era tarde de mais. Eu falhei. Tive que reconhecer isso.
                      Era como se não existisse amanhã. Foi como se minha vida tivesse acabado naquele momento, e sem a certeza das forças que teria para recomeçar.E sem a certeza de que iria haver um recomeço.
             E todos os nossos momentos passavam a todo momento na minha cabeça, de novo, de novo, de novo, e de novo.
Os meses que seguiram foram difíceis, fiquei ruim, quase não comia nada, nem saia de casa direito. Mas segui em frente. Sofri? Logico, e como. Mas sei que ele não gostaria de me ver naquele estado. Ele sempre dizia que amava o meu sorriso mais que tudo, que ele tinha uma ingenuidade como um sorriso de criança que ele amava e que o mesmo levava a ele uma sensação de paz. E isso era tudo o que eu queria, e podia, dar para ele. Paz.